16 de janeiro de 2017

Orek

۞ ADM Sleipnir

Arte de Alexandra Schastlivaya

No folclore turco, um Orek (em turco: Örek; em azerbaijanês: Örək ;  em tatar: Өрәк ou Öräk; em bashkir: Өрәк) é um cadáver animado trazido de volta à vida por meios místicos, como a feitiçaria. 
Eles são tipicamente retratados como cadáveres sem consciência, e uma vez reanimados, manifestam um insaciável desejo por carne humana.

A idéia sobre a existência de Örek está presente em algumas comunidades turcas, onde acredita-se que uma "garota vestida de branco" é a responsável por transformar os mortos nessas criaturas hediondas.

Arte de XeiArt

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13 de janeiro de 2017

Uttu

۞ ADM Sleipnir


Uttu (ás vezes chamada de Deusa Aranha)  é a deusa suméria das artes domésticas, da tecelagem e vestuário, às vezes confundida com Utu/Shamash, o deus sol sumério. Ela é filha dos deuses Enki e Ninkurra, e bisneta de Ninhursag. Na produção de tecidos, ela compartilha com as mulheres humanas o seu dom criativo. Acreditava-se que Uttu fosse o modelo sumério de uma esposa perfeita. De fato, em um dos mitos tardios, Enki encarrega Uttu de tudo que era relacionado com as mulheres. Acreditava-se também que ela ajudava as mulheres com dificuldades no parto.

Sua maior participação nos mitos sumérios se dá no ciclo incestuoso de relações sexuais entre Enki e sua descendência. Após Ninhursag abandonar Enki e deixar a morada dos deuses, Dilmun, Enki seduziu e se relacionou sexualmente com sua filha Ninsar. Ninsar deu a luz a Ninkurra, que por sua vez também foi seduzida por Enki, e posteriormente deu à luz a Uttu. Enki tentou de todas as formas seduzir Uttu. Uma versão da história conta que Uttu buscou conselhos com sua bisavó Ninhursag, que a aconselhou-a a evitar as margens do rio e, assim, escapar das investidas de Enki. Já outra versão conta que Enki consegue seduzir Uttu e ter relações sexuais com ela.

Antes que Uttu engravidasse de Enki, Ninhursag retira todo o sêmen do ventre da deusa e o derrama sobre a terra, onde sete plantas germinam rapidamente. Eventualmente Enki se alimenta dos frutos dessas plantas, e acaba adoecendo, ficando com inchaços em sua mandíbula, dentes, boca, garganta, em seus braços, pernas e também em suas costelas. Apesar de ser parte do plano de Ninhursag para se vingar do ex-marido, no fim, ela acaba se arrependendo, e ajuda seu ex-marido, criando deuses para cuidar de cada uma das enfermidades dele.


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12 de janeiro de 2017

Portal no Youtube: Spriggans

۞ ADM Sleipnir

Nosso vídeo falando sobre os Spriggans, classe de fadas pertencente ao folclore da Cornualha. Inscrevam-se em nosso canal, e se gostarem do vídeo, qualifiquem-o e compartilhem-o nas redes sociais!



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11 de janeiro de 2017

Axe Handle Hound

۞ ADM Sleipnir


O Axe Handle Hound (literamente "Cão Cabo de Machado", também escrito Axhandle Hound, Ax-handle Hound, ou similares) é uma criatura pertencente ao folclore lenhador norte-americano, mais precisamente dos estados americanos de Wisconsin e Minnesota. Ele se assemelha a um cão comum, porém sua cabeça possui o formato de uma lâmina de machado e seu corpo é magro e fino, possuindo ainda patas bem curtas.

Ele não é conhecido como sendo perigoso para os humanos. Porém, ele é um verdadeiro incômodo para os lenhadores. Como uma criatura noturna, o Axe Handle Hound anda durante a noite de acampamento em acampamento em busca de seu alimento, que consiste unicamente dos cabos de machados de lenhadores. Enquanto os lenhadores estão dormindo, ele devora o cabo de seus machados, deixando apenas a lâmina. Conta-se que os seus cabos preferidos são os feitos com madeira da marca Peavey (pois são os de melhor qualidade), porém ele detesta os feitos com madeira de carvalho vermelho (ditos serem os de pior qualidade).

Uma história conta que certa vez um lenhador domesticou um Axe Handle Hound. Um dia, ele acabou perdendo uma de suas pernas em um acidente, e usou um cabo de machado como substituto para sua perna. Seu Axe Handle Hound continuamente roída esse cabo e o lenhador constantemente tinha que colocar um novo no lugar. Até que um dia, ele colocou um cabo feito de carvalho vermelho, e após roê-lo, o Axe Handle Hound fugiu, e nunca mais foi visto.


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10 de janeiro de 2017

Portal no Youtube: Amazonas

۞ ADM Sleipnir

Nosso vídeo falando sobre as Amazonas, ferozes guerreiras da mitologia grega, também presentes em outras culturas. Inscrevam-se em nosso canal, e se gostarem do vídeo, qualifiquem-o e compartilhem-o nas redes sociais!



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9 de janeiro de 2017

Alusi

۞ ADM Sleipnir
Os Alusi (ou Alushi, também escrito Arusi ou Arushi) são espíritos adorados e servidos no Odinamiconjunto de crenças e práticas religiosas tradicionais do povo igbo da África ocidental Cada um dos quais é responsável por um aspecto específico da natureza ou um conceito abstrato.

Existem muitos Alusi diferentes e cada um tem sua própria finalidade e função. Alguns dos mais notáveis Alusi masculinos incluem Igwekaala, o Senhor do Céu, Amadioha; o Senhor dos trovões e relâmpagos, Ekwensu, o Alusi malandro, Ikenga, o Alusi chifrudo da fortuna e da indústria, Ahobinagu, o Senhor da floresta, Aro, o Senhor do julgamento, Agwu, o Senhor da adivinhação e cura, Njoku Ji, o Senhor do inhame e Ogbunabali, o Senhor da morte.

Existem também várias Alusi femininas, tais como Ahia Njoku, a Senhora do inhame, Anyanwu a Senhora do sol, Ani; a Senhora da fertilidade e da terra, Idemmili, a Senhora mãe do rio Idemili e Owun-miri, a Senhora das águas.

Existem também Alusi que regem as quatro direções do céu:
  • Eke (leste);
  • Orie (oeste);
  • Afo (norte);
  • Nkwo (sul).
Os termos Senhor e Senhora tem o significado de "aquele que tem domínio sobre", substituindo os termos deus e deusa, uma vez que o Odinami se trata de uma fé monoteísta onde existe apenas um deus supremo, Chukwu. Os Alusi seriam apenas encarnações de Chukwu.

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6 de janeiro de 2017

Abe no Seimei

۞ ADM Sleipnir


Arte de Genzoman para o card game Mitos y Leyendas
Abe no Seimei (安倍 晴明) é o onmyōji mais famoso da história japonesa. Um onmyōji é um especialista na prática do Onmyōdō, cosmologia esotérica tradicional do Japão que mistura ciência natural e ocultismo. Descendente do famoso poeta Abe no Nakamaro, Seimei viveu no Japão durante o período Heian, entre 921 e 1005. Devido ao seu sucesso como um astrólogo e adivinho, ele era amplamente creditado como um gênio e portador de poderes mágicos e conhecimentos secretos.

Seimei foi discípulo dos onmyōjis Kamo no Tadayuki e Kamo no Yasunori, e sucedeu Yasunori como astrólogo e adivinho da corte imperial. Os deveres de Seimei incluíam determinar o sexo de um feto, encontrar objetos perdidos ou ausentes, dar conselhos sobre como levar sua vida pessoal, conduzir exorcismos, criar defesas contra magia negra e espíritos malignos e analisar e interpretar eventos, como por exemplo fenômenos celestes. Ele escreveu vários livros, dentre eles o Senji Ryakketsu (占 事略 决, lit. "O Resumo de Julgamentos de Divindades"), que contém seis mil previsões e trinta e seis técnicas de adivinhação usando espíritos familiares conhecidos como shikigami, e uma tradução do Hoki Naiden, detalhando técnicas secretas de adivinhação.

Abe no Seimei era tão renomado que a família Abe continuou no controle do Onmyōryō (ministério do governo de onmyōdō) até ele ser encerrado, em 1869. Após sua morte, as histórias sobre Seimei começaram a se espalhar rapidamente e continuaram por centenas de anos. Eventualmente, os detalhes de sua vida tornaram-se tão entrelaçados com inúmeras lendas que já não era mais possível distinguir o que é verdade e o que é mito.



Lendas

Acreditava-se que a aptidão mágica de Abe no Seimei era derivada de uma linhagem sobrenatural. Dizia-se que sua mãe era uma kitsune, fazendo dele um Hanyō (meio-yokai). O pai de Seimei, Abe no Yasuna, salvou uma raposa branca que estava sendo perseguida por caçadores. A raposa então se transformou em uma bela mulher e disse que seu nome era Kuzunoha. Em agradecimento por salvar sua vida, Kuzunoha se tornou a esposa de Yasuna, e deu-lhe um filho, Seimei.

Aos cinco anos de idade, a linhagem yokai de Abe no Seimei começou a se tornar evidente. Nessa idade, ele já era capaz de comandar um Oni fraco e forçá-lo a cumprir suas ordens. Um dia, ele testemunhou sua mãe em sua forma de raposa. Kuzunoha explicou a Seimei que ela era a raposa branca que seu pai havia salvado no passado. Após a revelação, ela fugiu para a floresta, para nunca mais voltar. Kuzunoha confiou seu filho ao onmyōji Kamo no Tadayuki, a fim de garantir que ele não se tornaria uma pessoa má.

Abe no Seimei teve muitos rivais. Um deles foi um famoso sacerdote chamado Chitoku Hōshi. Chitoku era um feiticeiro habilidoso, e certa vez quis testar Seimei para ver se ele era realmente tão bom quanto as pessoas diziam que ele era. Chitoku se disfarçou como um viajante e visitou a casa de Seimei, pedindo para que lhe ensinasse magia. Seimei percebeu o disfarce de Chitoku instantaneamente. Além disso, ele também viu que os dois servos que Chitoku havia trazido consigo eram na verdade shikigamis disfarçados.

Seimei decidiu se divertir um pouco com Chitoku. Ele concordou em treiná-lo, mas lhe disse que aquele não era um bom dia, e pediu-lhe  para voltar no dia seguinte. Chitoku então voltou para sua casa, enquanto Seimei libertou os seus dois shikigamis sem que ele percebesse. No dia seguinte, Chitoku percebeu que seus criados haviam desaparecido, e voltou até a casa de Seimei, pedindo para que ele devolvesse seus shikigami. Seimei riu dele, o repreendendo duramente por tentar enganá-lo. Seimei lhe disse que qualquer outra pessoa não seria tão bondosa a ponto de devolver shikigamis que foram empregados contra ela. Chitoku então percebeu que estava muito acima de sua cabeça; Seimei não foi só capaz de enxergar através de seu disfarce, mas ele foi capaz de manipular todos os seus feitiços também. Chitoku então Inclinou-se perante Seimei, clamou pelo seu perdão e ofereceu-se para se tornar seu servo.

O principal rival de Abe no Seimei foi um feiticeiro chamado Ashiya Dōman. Dōman era muito mais velho que Seimei, e acreditava que não havia ninguém no mundo que fosse um onmyōji melhor do que ele. Ao ouvir sobre o talento de Seimei, ele o desafiou para um duelo mágico.

No dia do duelo, os dois feiticeiros se encontraram nos jardins imperiais para a competição, onde muitos funcionários e testemunhas estavam presentes para assisti-los. Primeiro, Dōman pegou um punhado de areia, concentrou-se sobre ele por um momento, e o jogou para o alto. As partículas de areia se transformaram em inúmeras andorinhas que começaram a voar ao redor do jardim. Seimei então pegou seu leque, e balançando-o apenas uma vez, fez com que todas as andorinhas se transformassem em grãos de areia novamente.

Abe no Seimei no mangá Nunarihyon no Mago
Em seguida, Seimei recitou um feitiço. Um dragão apareceu acima deles no céu, e uma fina chuva começou a cair. Dōman recitou seu feitiço, no entanto, ele não foi capaz de fazer com que o dragão desaparecesse. Em vez disso, a chuva tornou-se mais forte, enchendo o jardim com água até a cintura de Dōman. Finalmente, Seimei lançou seu feitiço outra vez. A forte chuva parou, e o dragão desapareceu.

A terceira e última competição foi um desafio de adivinhação: os competidores tiveram que adivinhar o conteúdo de uma caixa de madeira. Dōman, indignado por ter perdido a rodada anterior, desafiou Seimei: "Quem perder essa rodada se tornará o servo do outro!". Dōman declarou confiantemente que haviam 15 laranjas dentro da caixa. Seimei o contradisse, dizendo que haviam 15 ratos na caixa. O imperador e seus acompanhantes que haviam preparado o teste sacudiram a cabeça, pois puseram 15 laranjas na caixa. Eles anunciaram que Seimei tinha perdido. No entanto, quando abriram a caixa, 15 ratos pularam para fora! Seimei não havia só adivinhado o conteúdo da caixa, mas transformou o mesmo em ratos, enganando Dōman e toda a corte e assim vencendo o duelo.


Arte de Matthew Meyer
Ashiya Dōman continuou a guardar rancor contra Abe no Seimei, e continuou a conspirar contra ele. Ele seduziu a esposa de Seimei e a convenceu a lhe contar os segredos mágicos de Seimei. Ela lhe mostrou a caixa de pedra na qual Seimei guardava o Hoki Naiden, seu livro de feitiços. Hoki Naiden era um livro de segredos que foram transmitidos desde tempos imemoriais da Índia para Tang, na China. Ele chegou à posse do enviado japonês, Kibi no Makibi, que ao retornar ao Japão, apresentou o livro aos familiares de seu amigo Abe no Nakamaro, que permaneceu na China. De lá foi transmitido de geração em geração, e eventualmente foi herdado por Abe no Seimei.

Uma noite, após Seimei voltar para casa, encontrou Dōman, vangloriou-se de ter adquirido o livro mágico secreto de Seimei. Seimei repreendeu-o, dizendo que isso era impossível, mas tão impossível, que se Dōman tivesse o livro, ele poderia cortar sua garganta.Triunfante, Dōman apresentou o livro a Seimei, que ao perceber que tinha sido traído por sua esposa, ofereceu sua garganta a Dōman. Dōman alegremente cortou a garganta de Seimei, que acabou morrendo.

Quando Seimei foi assassinado, Saint Hokudō - o mago chinês que havia dado o Hoki Naiden a Kibi no Makibi - sentiu a perda de um grande feiticeiro. Ele viajou pelo mar até o Japão, recolheu os ossos de Seimei e o trouxe de volta a vida. Os dois então se prepararam para se vingar de Dōman e da ex-esposa de Seimei, que agora estava casada com Dōman.

Saint Hokudō fez uma visita à casa de Seimei, onde Dōman e sua esposa agora viviam juntos. Ele perguntou a  Dōman se Seimei estava em casa, e Dōman lhe respondeu que, infelizmente, ele havia sido assassinado há algum tempo. Saint Hokudō disse que isso era impossível, pois ele tinha visto Seimei naquele mesmo dia. Dōman riu dele, dizendo que isso era impossível, mas tão impossível, que se Seimei estivesse realmente vivo, ele poderia cortar sua garganta. Saint Hokudō então gritou para Abe no Seimei, que se apresentou prontamente cortou as gargantas de Dōman e sua esposa.

Seimei também figura em inúmeros outros contos. Ele aparece como um personagem menor no épico Heike Monogatari, sendo responsável por adivinhar a localização de Shuten-doji, um poderoso oni supostamente morto por Minamoto no Yorimitsu. As vezes ele é dito ser o onmyoji que descobriu a verdadeira natureza da lendária kitsune Tamamo-no-Mae, embora a época da história da Tamamo-no-Mae não coincida com o período de vida de Seimei. Essa descoberta muitas vezes creditada a um de seus descendentes, Abe no Yasuchika.

Hoje, Abe no Seimei é adorado como um deus em muitos santuários em todo o Japão. Seu santuário principal está localizado em Kyōto, e fica no local ficava sua antiga casa.


Templo Seimei, em Kyoto

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4 de janeiro de 2017

Agas

۞ ADM Sleipnir

 Agas, arte de Genzoman
Agas, arte de Genzoman
Agas ("olho malígno" em avéstico) é um demônio feminino da enfermidade oriundo da mitologia e demonologia persa/iraniana. Ela causa problemas para as pessoas distorcendo sua visão ou criando visões para elas por meio de miragens. Ela tenta fazer com que as pessoas cometam pecados através de meios visuais como voyeurismo, visões sexualmente atrativas e cobiça.

Agas mostra para as pessoas visões do que elas mais desejam, e se deleita quando vê as pessoas caírem em suas armadilhas. Aqueles que não conseguem resistir a sua tentação são afingidos por doenças dos olhos.


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2 de janeiro de 2017

Tuatha Dé Danann

۞ ADM Sleipnir


Os Tuatha Dé Danann ("povos da deusa Danu") são uma raça de deuses ou semideuses da mitologia celta/irlandesa, dotados de poderes mágicos e traços e personalidades humanas. Seus membros compostos por músicos, poetas, druidas, guerreiros e reis. Entre suas fileiras estão os deuses da arte, artesanato, linguagem, música, magia, guerra e amor.

Os Tuatha Dé Danann produziram vários líderes importantes. Nuada, poeta e deus da guerra, serviu por um tempo como rei, mas foi removido de seu posto após perder um braço em batalha. Ele recuperou o trono mais tarde com a ajuda de um braço substituto feito de prata. Durante o afastamento de Nuada, Bres, o Belo, tomou o trono brevemente, mas acabou sendo deposto devido a sua tirania. Nuada reassumiu o trono para em seguida abdicar em favor de Lugh Lamhfada, o deus da luz, cujas habilidades ajudariam os Tuatha Dé Danann a guerrear contra os Fomorianos.

Dagda era um poderoso deus, conhecido como o Pai de Todos. Apesar de não ser um rei, ele foi um dos membros mais importantes dos Tuatha Dé Danann. Seu irmão, Bodb Derg, assumiu esse papel de figura paterna após sua morte.  A deusa Danu (também chamada Dana ou Anann) era a mãe e padroeira dos deuses. Badb, Macha e Morrígan são suas três grandes rainhas ou deusas da guerra.

Cada membro do Tuatha Dé Danann possui um significado, habilidade ou capacidade especial. Os principais deuses e suas principais características são os seguintes:
  • Angus Óg era o deus da juventude e da beleza e um protetor dos amantes.
  • Bóand era uma deusa-rio que deu seu nome ao rio Boyne. Ela era a esposa de Dagda.
  • Brigit era a ardente deusa da poesia e a patrona dos contadores de histórias e bardos.
  • Cian era um deus metamorfo, e mais conhecido por ser pai do deus da luz Lugh.
  • Credne era um deus da metalurgia que ajudava a fabricar armas e armaduras para os deuses.
  • Dian Cécht era o deus da cura e da medicina, que podia trazer os mortos de volta à vida. Ele confeccionou o braço substituto de prata do rei Nuada. Seus dois filhos, Miach e Airmid, também eram médicos poderosos.
  • Donn era o deus dos mortos e do Outro Mundo.
  • Goibniu era um deus ferreiro e artesão, além de também possuir poderes de cura. A cerveja que ele produzia tinha o poder de prolongar a vida.
  • Luchta era um deus artesão que ajudou a fazer armas mágicas para o Tuatha Dé Danann.
  • Manannán mac Lir era o deus dos mares, que andava sobre as ondas em uma carruagem.
  • Ogma era o deus da eloquência e da linguagem. Ele também era um valente guerreiro.
  • Tuireann era um deus associado ao galês Taranis e ao nórdico Thor. Seus filhos Brian, Iuchair e Iucharba matam Cian, pai de Lugh, e acabam morrendo após cumprirem uma missão dada a eles por Lugh como forma de reparar seu crime. Tuireann acaba morrendo de desgosto.sobre suas covas.

De acordo com o Lebor Gabála Érenn ("Livro da conquista da Irlanda"), os Tuatha Dé Danann foram o quinto grupo a invadir e habitar a Irlanda.  Eles vieram de quatro cidades do norte (Falias, Gorias, Murias e Finias), onde adquiriam os seus atributos e capacidades ocultas. Eles cruzaram o mar em direção a Irlanda montados em uma nuvem e desceram do céu envoltos em uma névoa cinzenta que se instalou ao redor das montanhas e camuflou sua chegada. Os deuses trouxeram consigo quatro itens mágicos: a Lia Fáil, uma pedra que gritava quando um legítimo rei a tocava; Claíomh Solais, a espada de Nuada, que sempre desferia um golpe fatal; A lança Lúin, que garantia a vitória; e o caldeirão de Dagda, sempre cheio de riqueza e alimentos.

Duas histórias no Ciclo Mitológico Irlandês descrevem duas grandes batalhas envolvendo os deuses do Tuatha Dé Danann. A primeira delas, chamada Primeira Batalha de Mag Tuired, foi travada contra os Fir Bolg, tribo que dominou a Irlanda por 37 anos antes da chegada dos Tuatha de Dannan. Anos depois, ocorreu a Segunda Batalha de Mag Tuired, travada contra os terríveis Fomorianos. Após triunfar nessas duas batalhas, os Tuatha Dé Danann viveram em paz por muitos anos.

Quando os Milesianos, um grupo de mortais liderados por Mil Espáine, chegou a Irlanda, combateram e derrotaram os Tuatha Dé Danann, colocando um fim em seu domínio. Eles foram forçados ao exílio, passam a habitar as colinas ocas e/ou as terras mágicas, como Tír na nÓg e Mag Mell.

A Primeira Batalha de Mag Tuired

Eochaid mac Eirc, o líder dos Fir Bolg, tomou conhecimento de que os Tuatha Dé Danann haviam desembarcado na Irlanda. Ele desconfiava dos estranhos, pois um druida o o havia advertido sobre a chegada de um grande inimigo. Então Eochaid enviou um de seus guerreiros, chamado Sreng, para encontrar os recém-chegados e ver se eles tinham vindo em paz. Ao mesmo tempo, Nuada, o rei dos Tuatha Dé Danann, enviou um de seus melhores campeões, o fomoriano Bres. Os guerreiros se encontraram entre os dois campos. Trocaram saudações, compararam armas e responderam as perguntas uns dos outros. Pouco antes de os dois se separarem em termos amigáveis, Bres entregou a Sreng uma mensagem para levar de volta ao seu povo. Os Tuatha Dé Danann queriam metade da Irlanda. Se os Fir Bolg se recusassem a ceder, uma batalha se seguiria.

Sreng estava convencido de que seria melhor dividir a terra com Bres e seu povo. Mas Sreng não conseguiu convencer Eochaid e os outros guerreiros dos Fir Bolg a concordarem. Eochaid temia que, se entregasse a metade da terra aos Tuatha Dé Danann, eles pediriam mais no futuro.


Sreng, guerreiro e futuro líder dos Fir Bolg
A primeira batalha entre os Tuatha Dé Danann e os Fir Bolg durou quatro dias. Os guerreiros dos Tuatha Dé Danann dominaram o campo de batalha, repelindo as forças Fir Bolg no final de cada dia. No final deste primeiro confronto, Nuada e os Tuatha Dé Danann foram vitoriosos.

Durante a batalha, Nuada perdeu o braço durante um combate contra Sreng. Apesar de Dian Cécht ter lhe confeccionado um novo braço feito de prata, Nuada foi considerado pelos demais incapaz de lidera-los. Durante a pausa na luta, Bres tomou o seu lugar. Os deuses procuraram obter a paz oferecendo novamente aos Fir Bolg metade da Irlanda. Mas a oferta foi recusada, então a batalha recomeçou.

Os druidas dos Tuatha Dé Danann usaram sua magia para fazer com que Eochaid, o líder dos Fir Bolg, fosse tomado por uma extrema sede. Ele vagou pelo campo de batalha em busca de água, protegido por 50 de seus homens, mas os druidas dos Tuatha Dé Danann fizeram com que ele não fosse capaz de encontrar. Além dos cinquenta homens que o protegiam, mais cinquenta seguiram Eochaid quando este deixou o campo de batalha em busca de água. Em um momento onde Eochaid se separou de suas tropas, os guerreiros dos Tuatha Dé Danann mataram Eochaid e depois os seus homens. Com Eochaid morto, os Fir Bolg tinham finalmente sido derrotados. Liderados por Sreng, eles concordaram com a paz, mas agora os deuses ofereceram-lhes apenas uma província em vez de metade da terra.

Os Fir Bolg tomaram a província de Connacht, onde alguns deles permaneceram por gerações depois da batalha. Muitos de seus membros fugiram para ilhas distantes. Apesar de sua vitória, não ficou tudo bem para os Tuatha Dé Danann. Como líder, Bres era um desastre. Ele forçava os deuses a trabalharem para ele, e faltavam-lhe qualidades reais como generosidade e hospitalidade. Enquanto isso, os Fomorianos começaram a subir no poder. Os Tuatha Dé Danann derrubaram Bres e reintegraram Nuada ao trono, cujo braço havia sido curado. Em resposta a esse insulto, Bres foi até os fomorianos na fortaleza na Ilha Tory, esperando reunir um exército contra seus antigos parentes.

Quando o herói Lugh Lamhfada chegou a Tara, sede do reino da Irlanda, Nuada logo reconheceu seus muitos talentos. Ele viu que o recém-chegado tinha os poderes necessários para guiar os Tuatha Dé Danann à vitória. Então Nuada abdicou do trono em favor de Lugh a tempo para a segunda grande batalha dos Tuatha Dé Danann, na qual enfrentaram Bres e os Fomorianos.

Fomorianos, como descritos por John Duncan (1912)
A Segunda Batalha de Mag Tuired

Vinte e sete anos se passaram desde a primeira batalha de Mag Tuired. Lugh estava enfurecido com os impostos cobrados sobre os Tuatha Dé Danann pelos Fomorianos, e para protestar contra sua opressão, ele matou um grupo de coletores de impostos e enviou os nove sobreviventes de volta com uma mensagem de que ele não toleraria mais ataques dos Fomorianos. Essa provocação era exatamente o que Bres precisava para iniciar uma guerra contra seu ex-povo. Os Fomorianos partiram da Ilha Tory em direção a Irlanda, prontos para a batalha. Primeiro, atacaram a província de Connacht, e em seguida invadiram Tara, onde Lugh governava como rei. A mando de Lugh, Dagda foi até o acampamento fomoriano para espioná-los e distraí-los enquanto os Tuatha Dé Dannan se preparavam para a guerra. Ao chegar ao acampamento Formoriano, os mesmos se assustaram com sua presença, temendo um ataque surpresa, mas logo foram até ele checar suas intenções. Dagda os provoca, dizendo que a fama dos fomorianos de não serem hospitaleiros era verdade, e ameaçou compor uma música com sua harpa, anunciando ao mundo o fato. Com medo da desonra, os fomorianos cavaram um profundo buraco no chão, e o encheram de leite, farinha, cereais, carne de vaca e de ovelhas e 3 ou 4 porcos inteiros. Dagda foi obrigado a comer tudo, caso contrário seria morto por eles. Utilizando uma colher de pau tão grande que um homem e uma mulher poderiam dormir juntos nela, Dagda comeu o mingau até o fim, inclusive raspando o chão com a colher. Dagda obteve as informações que queria, mas foi impedido de deixar o acampamento pelos Fomorianos, que pretendiam lhe servir um banquete ainda maior do que o que provara, certos de que ele não daria conta e com isso poderiam matá-lo. 


Cheio como estava, Dagda não conseguiria abrir caminho à força e ir embora, então caminhou até a praia e caiu num sono profundo. Ao acordar, foi ajudado por uma maga chamada Elen, que utilizou sua magia para ajudar Dagda a fugir e retornar a Tara com as informações que havia colhido. Enquanto retornava, Dagda viu a deusa da guerra Badb, que profetizou a morte de Indech, um dos líderes fomorianos, pelas mãos de Dagda.


Enquanto isso, Lugh se preparava para a batalha. Ele reuniu os druidas, ferreiros, médicos, guerreiros e cocheiros para preparar os feitiços mágicos e armas que os Tuatha Dé Danann usariam para lutar contra seus inimigos.

A batalha foi travada na planície de Mag Tuired, ao norte do local onde a primeira batalha havia ocorrido. Os Fomorianos e os Tuatha Dé Danann eram adversários uniformemente igualados, mas sob a liderança de Lugh, os Tuatha Dé Danann haviam melhorado suas habilidades mágicas e seu armamento. Eles usaram esses poderes para sua vantagem na segunda batalha. Dian Cécht e seus filhos curavam os feridos e restauravam a vida de muitos guerreiros dos Tuatha Dé Danann mortos. Como a deusa Badb havia profetizado, Dagda matou Indech, e sua morte foi um grande golpe para os Fomorianos.

Ainda assim, houveram muitas baixas em ambos os lados. Balor do Olho Malígno, o temível rei fomoriano, provou ser a principal ameaça. Ele matou Nuada no campo de batalha e então encontrou Lugh, que era seu neto. Balor estava ansioso para lutar contra Lugh, apesar da profecia de que Balor algum dia seria morto pelas mãos do jovem. Mas com um movimento de seu pulso, Lugh atirou sua lança (ou uma pedra, conforme a versão da lenda) no olho do gigante. O golpe feriu Balor fatalmente, fazendo com que este caísse com o seu olho virado para os seus próprios homens. Aqueles que não foram mortos pelo olhar de Balor fugiram aterrorizados. Este momento virou a maré para os Tuatha Dé Danann, que lutaram com o vigor renovado. No fim, os Fomorianos foram derrotados e exilados da Irlanda para sempre. As deusas da batalha Morrigan e Badb declararam o fim da batalha. Os duplamente vitoriosos Tuatha Dé Danann governaram a Irlanda por quase 300 anos.


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Ruby