16 de setembro de 2016

Cupendiepes, os Índios Morcegos

۞ ADM Sleipnir

Arte de LozanoX
De acordo com o folclore da tribo Apinajé, os Cupendiepes (ou Kupen-Dyep) eram uma tribo de índios com asas de morcego. Eles habitavam no sertão de São Vicente, próximo ao rio Araguaia, em uma caverna num local conhecido como a "rocha do Morcego".

De acordo com uma lenda, um Apinajé flechara um veado perto da rocha do Morcego e acampara ali a noite porque já era tarde. Mas, enquanto ele dormia, os Cupendiepes  vieram voando esmagando seu crânio com seus machados.

Como ele já estivesse há muito tempo ausente, seus parentes seguiram as suas pegadas e acharam seu cadáver. Em torno dele, viram também muitas pegadas, mas nenhum traço da chegada ou partida dos malfeitores.

Por causa disso, durante muito tempo os Apinajés evitaram passar a noite naquela região, até que um dia dois caçadores e um menino decidiram acampar ao pé da rocha do Morcego. Depois do anoitecer, ouviram cantos vindos de dentro da montanha. Então o menino ficou assustado e se escondeu em uma moita longe do acampamento dos dois homens. Logo após, os morcegos vieram voando e mataram os dois caçadores, mas o menino escapou, e na aldeia contou o que ocorrera.

Então os guerreiros Apinajés de todas as quatro aldeias saíram juntos para destruir os Cupendiepes . Quando eles chegaram à rocha do Morcego, imediatamente ocuparam a entrada da caverna, onde amontoaram lenha. Enquanto isso, outros procuravam fazer uma volta para alcançar a janela da caverna. Mas isto era mais difícil do que haviam suposto, e eles ainda não tinham alcançado o seu objetivo, quando aqueles que tomavam conta da entrada puseram fogo à pilha. Assim os Cupendiepes voaram em atropelo pela abertura superior, sem serem feridos pelas setas dos Apinajés. Eles voaram pra o Sul, e diz-se que ainda estão vivendo em algum lugar por lá.

Arte de LozanoX
Quando a fumaça diminuiu, os guerreiros Apinajés penetraram na caverna, achando um grande número de machados abandonados pelos Cupendiepes em sua fuga. Bem no fundo da caverna, escondido por uma pedra, um menino de cerca de seis anos de idade. De início, eles queriam mata-lo, mas um índio decidiu criá-lo e levou-o consigo.

Quando os Apinajés em sua viagem fizeram seus leitos de folhas de palmeiras no chão, determinaram também o lugar onde deveria dormir o pequeno cupendiepe, mas ele não ficou deitado: chorava e olhava constantemente para o céu. Como não queria deitar-se de modo algum, seu dono teve subitamente uma idéia. Lembrou-se de que na morada dos Cupendiepes não havia camas no chão nem tão pouco postes para dependurar redes, mas havia muitas vigas horizontais. Trouxe um varapau e o colocou horizontamente apoiado nas forquilhas de galhos de duas pequenas árvores vizinhas. Logo que o menino viu isso, trepou em uma das árvores de tal modo que se dependurou no vara pau pelos joelhos, a cabeça para baixo. Encolheu a cabeça, cobriu o rosto com os braços cruzados, e então dormiu calmamente nesta posição.

Este menino viveu pouco tempo entre os Apinajés, pois morreu logo. Um dia eles o observaram deitado no chão cantando. “U-ua Klunã Klocire! Klud pecetire!” Então, ele agarrou o cangote com as mãos. Quando os Apinajés perguntaram-lhe sobre isto, disse que seus companheiros de tribo dançavam daquele modo. Os Apinajés ainda cantam a canção do Cupendiepes.

Arte de Cole Munro-Chitty

fontes:

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Um comentário:

  1. Me lembra um conto sobre extratores de latex que são atacados por homens-morcego, só que nesse caso as criaturas são chamadas de zorak(ou algo parecido, li isso a muito tempo)

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