22 de julho de 2016

Tuonetar

Tuonetar ("Rainha dos Mortos") é a deusa finlandesa dos mortos e rainha de Tuonela, o submundo finlandês, o qual governa ao lado de seu marido Tuoni, também um deus dos mortos. Juntos, Tuonetar e Tuoni são os pais de uma série de deuses e monstros sombrios. Dentre seus filhos mais famosos estão Loviatar (deusa da pragas), Kalma (deusa da morte), Kipu-tyttö (deusa da doença), Kivutar (deusa das enfermidades), e Vammatar (deusa da dor). 

Tuonela, o submundo, é descrito como uma sombria floresta separada do mundo dos vivos por um rio de águas negras. Nele, Tuonetar conduz uma embarcação negra na qual transporta as almas dos mortos. Era possível para os mortais entrar em Tuonela vivo, porém muitos poucos eram capazes de retornar, devido aos enormes perigos que ele oferecia. Primeiro, era preciso vagar durante sete dias por um emaranhado de arbustos espinhentos. Sobrevivendo a isto, deveria cruzar um imenso pântano, que também levava sete dias para ser atravessado. Por fim, havia ainda uma escura e densa floresta negra, que também levava mais sete dias de viagem árdua para ser cruzada. Os três territórios eram repletos de perigos, e aqueles que conseguissem atravessá-los encontrariam no fim a margem do rio que cerca Tuonela, onde deveriam conseguir a permissão das filhas de Tuonetar para prosseguir sua jornada e se encontrar com Tuonetar.

Ao chegar a presença de Tuonetar, ela oferecia ao mortal uma porção feita de sapos e vermes, que se fosse consumida, fazia com que o mesmo perdesse a memória, impossibilitando-o de deixar Tuonela, onde ficaria preso para sempre. De acordo com a mitologia, somente o herói Väinämöinen foi capaz de escapar de Tuonela vivo, pois não consumiu a porção de Tuonetar.


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20 de julho de 2016

Anhur

۞ ADM Sleipnir


Anhur (Han-her, Inhert, também conhecido por seu nome grego, Onúris) era um antigo deus egípcio da guerra e da caça adorado na cidade de This (ou Thinis). Seu dever era proteger seu pai (o deus sol ) de seus inimigos, recebendo assim o epíteto de "Matador de Inimigos". Anhur era um dos deuses que ficavam a frente da barca solar de Rá e defendiam-no contra os ataques da terrível serpente Apep. Ele era o patrono do antigo exército egípcio, e a personificação dos guerreiros reais, mas também representava a criatividade do homem e por isso não era sempre uma divindade violenta. Em festivais em sua homenagem, simulações de batalhas eram encenadas.

Seu nome significa "aquele que trouxe de volta a Distante" (embora outra tradução possível seja "portador do céu"). Esse nome parece referir-se a lenda em que o "Olho de Ra" (sua filha, que conforme a versão da lenda pode ser Hathor, Sekhmet, Tefnut, Mut, ou Bastet) abandonou o Egito e viajou para a Núbia, sob a forma de uma leoa feroz. Mas Rá sentia falta dela, e por isso ele enviou um emissário para trazê-la de volta. Na versão em que Anhur é o emissário de Rá, o Olho de Rá é a deus Menhet, que ai retornar ao Egito, se torna sua consorte.


Iconografia


Anhur é geralmente retratado como um homem barbudo ou com cabeça de leão, vestindo uma túnica semelhante a um kilt e um cocar com quatro penas e segurando uma lança na mão direita e um pedaço de corda na mão esquerda. Ocasionalmente, ele é retratado sem a lança ou a corda, mas muitas vezes suas mãos estão na posição que estariam se estivesse carregando-as.


Associação com outros deuses

Anhur era um dos filhos de Rá, mas também foi considerado o filho de Hathor. Como um deus da guerra, ele estava intimamente associado com os deuses Montu e Sopdu, e foi associado pelos gregos e romanos com Ares/Marte. Durante a era romana, o Imperador Tibério foi retratado vestindo a coroa de Anhur nas paredes do templo de Kom Ombo (dedicado a Sobek e Hórus). Embora Anhur fosse uma divindade original de This, seu principal centro de culto estava na cidade de Sebennytos (moderna Samannud) no Delta, onde ele era considerado um aspecto do deus do ar, Shu. Como Anhur era um deus mais popular que Shu, ele absorveu grande parte dos atributos do mesmo.

A popularidade de Anhur cresceu durante o Império Novo, quando ele tornou-se intimamente associado com Hórus, como a divindade composta Hórus-Anhur, o guerreiro modelo e o "salvador" daqueles em batalha. Os núbios renomearam Hórus-Anhur como Ary-hes-Nefer (ou Arensnuphis, Arsnuphis, Harensnuphis), que possivelmente significa "Hórus da bela casa". Essa divindade era tida como sendo casada com Ísis, e por tanto, acabou sendo associada também a Osíris.

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18 de julho de 2016

San La Muerte

۞ ADM Sleipnir



San La Muerte ("São Morte") é um popular santo pagão venerado no Paraguai, no nordeste da Argentina (principalmente na província de Corrientes, mas também em Misiones, Chaco e Formosa), além do sul do Brasil (especificamente nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul). Ele também é conhecido como Senhor da Boa Morte e Senhor da MorteNão deve ser confundido com a Santa Muerte, santa popular venerada no México, que apesar de possuir rituais e poderes semelhantes, é uma santa a parte.

Origem

A origem de San La Muerte remonta à época das Missões Jesuíticas do século XVI. Conta a lenda que este santo foi um monge franciscano ou jesuíta que curava as pessoas de várias enfermidades principalmente de Lepra. Como ele atuava de forma independente da igreja, e se tornava cada vez mais popular, seus superiores lhe advertiram inúmeras vezes para não fazê-lo. Como ele não pois um fim em suas atividades, acabou sendo preso, e em protesto, se manteve em jejum de pé dentro de sua cela. Após um tempo, ele foi encontrado morto na mesma posição em que estivera jejuando, já completamente esquelético, vestindo seu manto e um cajado que usava para caminhar.

Representações

As representações de San La Murte variam, mas a figura clássica é a de um esqueleto humano, de pé, com recursos simples, minimalistas. O esqueleto geralmente carrega uma foice, em alguns casos com gotas de sangue na ponta. Outras representações incluem um esqueleto de pé sem uma foice, ou sentado em um caixão.


Suas esculturas podem ser esculpidas em madeira, ossos, metal (especialmente balas) e, geralmente, se situam entre 3 e 15 centímetros de altura. O aumento dos poderes são atribuídos às esculturas que são criadas a partir de materiais de origem significativa, como a falange do dedo mínimo, um osso de bebê morto, a madeira retirada do caixão de uma pessoa morta, ou um crucifixo que pertencia a alguém falecido recentemente. Outras matérias-primas mais comuns incluem madeira de cedro.

De acordo com os crentes, a escultura, a fim de ser capaz de conceder favores, precisa ser consagrada por um padre católico sete vezes. Se a escultura é esculpida em osso de um homem católico ele só precisa ser consagrado cinco vezes, pois o osso já foi consagrado duas vezes. Para obter esculturas abençoadas, os fiéis recorrem a subterfúgios, tais quais, esconder uma imagem debaixo de uma de um santo convencional. Quando um padre abençoa a imagem normal, considera-se que a outra também foi abençoada.

Além das esculturas que são normalmente mantidas em um altar ou em um lugar fixo em casa, há uma série de formas pessoais do ritual que envolvem representações na forma de amuletos e tatuagens ou no corpo sob a forma de entalhes inseridos sob a pele do fiel. Tatuagens, amuletos e inserções do corpo ofereceriam proteção especial da morte e evitariam lesão corporal e prisão. Entre os devotos, as balas disparadas, de preferência as que tenham ferido ou matado um homem cristão são consideradas matéria-prima mais eficiente para amuletos.




Culto

Para seus devotos, San La Muerte existe no contexto da fé católica e é comparável a outros seres puramente sobrenaturais como arcanjos. A devoção envolve orações, rituais e oferendas, que são dadas diretamente ao santo na expectativa do atendimento de solicitações específicas. As ofertas podem incluir sangue, bebidas alcoólicas, velas e outros objetos valiosos. O santo recebe oferendas em troca de favores relacionados a uma ampla gama de problemas pessoais. Pode ajudar a restaurar o amor, saúde e fortuna, proteger os adoradores de feitiçaria, eliminar o mau-olhado e conceder boa sorte em jogos de azar. Além desses poderes, que são comumente atribuídos aos santos populares, em geral, seria capaz de conceder uma série de pedidos que estão ligados ao crime e à violência. Por exemplo, acredita-se que o santo esquelético pode trazer a morte sobre os inimigos de seus devotos, pode impedir as pessoas de serem enviadas para a prisão e ainda encurtar a prisão de detentos, além de ajudar na recuperação de itens roubados e desviados.




Sua devoção é caracterizada por um código moral que deve ser obedecido. Seus devotos têm numerosas obrigações para com o santo. A comunicação ocorre por meio de orações que são passadas ​​entre os crentes. O culto também se baseia na punição e submissão ao ter concedido um favor ou graça. Quando as graças são concedidas, o santo é recompensado, mas nunca totalmente, a fim de aumentar as chances dele em breve estar disposto a conceder outra graça.

Para a maioria dos devotos, o santo oferece proteção pessoal e intransferível que só será acessível para os outros quando, após a morte do proprietário original, outro adquira a sua escultura. Há também os intermediários, tais como curandeiros e médicos tradicionais que invocam o seu poder, em nome de seus clientes. Em outros casos São Morte é mantido escondido em casa, estendendo sua proteção a todos os membros da família, sem distinção. Uma série de altares públicos também podem ser encontrados. Eles são executados por devotos que atuam como guardiões de cuidadores. As festas públicas ocorrem em 15 de agosto, dia do santo. Já que não é reconhecido e incluído no calendário de santos da Igreja Católica, a data é contestada e, em alguns casos, é festejada em 13 de agosto.


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15 de julho de 2016

Wishpooshi

۞ ADM Sleipnir



Wishpooshi é um castor gigante originário do folclore da tribo Nez Perce, que vivem na região do noroeste pacífico dos Estados Unidos. Ele é dito habitar o lago Cle Elum, e de acordo com o folclore, não permitia que nenhum animal pegasse peixes em seu lago. Ele ameaçava todos que se aproximavam do lago, e aqueles que não deixassem o local eram arrastados para  dentro do mesmo, morrendo afogados.

Coyote, o deus malandro, não gostava da maneira como Wishpooshi tratava os animais. e decidiu por um fim nessa situação. Ele foi até o lago Cle Elum armado com sua lança amarrada em seu pulso e então começou a pescar. Assim que avistou o deus, Wishpooshi o atacou. Coyote atirou a lança e perfurou o castor. Imediatamente, Wishpooshi mergulhou para o fundo do lago, arrastando Coyote com ele.

Conforme lutavam, os dois remodelavam a região criando canais e desfiladeiros e eventualmente desviando toda a água do lago para outro local. Wishpooshi era monstruoso, e por um momento Coyote ficou assustado com sua demonstração de poder. Mas como era o mais astuto de todos os animais, Coyote arquitetou um plano. Transformando-se em um galho de árvore, Coyote flutuou entre os peixes até Wishpooshi o engolir. Voltando à sua forma natural, Coyote pegou uma faca e cortou os tendões no interior do castor gigante. Wishpooshi deu um grande grito e depois pereceu. Vencedor, Coyote usou então a carcaça de Wishpooshi para criar as tribos de homens.

Arte de Melissa Mitchel

fonte:

  • Livro "Encyclopedia of Beasts and Monsters in Myth, Legend and Folklore", de Theresa Bane


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13 de julho de 2016

Narciso

۞ ADM Sleipnir


Na mitologia grega, Narciso (do grego Narkissos) era filho do deus-rio Cefiso e da ninfa Liríope. De acordo com o mito, ele era um jovem famoso por sua extrema beleza, que despertava a paixão de muitos homens e mulheres. Porém, por ser tão belo, Narciso era arrogante, e rejeitava a todos que tentavam se aproximar dele, e isto foi a sua ruína. 

A história de Narciso possui várias versões. A versão mais famosa é a escrita pelo poeta Ovídio, do 3º livro de sua obra Metamorfoses. Nesta versão, quando Narciso ainda era pequeno, sua mãe procurou o profeta Tirésias para consulta-lo em relação ao futuro de seu filho, pois temia que ele tivesse problemas por causa de sua extraordinária beleza. Após vê-lo, Tirésias predisse a sua mãe que ele iria desfrutar de uma vida longa, desde que ele nunca visse o seu próprio reflexo. 

Como o profeta havia predito, Narciso cresceu e a cada dia tornava-se mais belo, atraindo todo o tipo de pretendentes. Um dia, quando Narciso caminhava pela floresta, a ninfa Eco o viu e ficou loucamente apaixonada por ele. Ela começou a segui-lo, e ao sentir que alguém o seguia, Narciso perguntou: -"Quem está aí?". Eco respondeu-lhe repetindo sua pergunta: -"Quem está aí?", e isso se prolongou por algum tempo até que Eco decidiu aparecer perante ele. Eco tentou abraça-lo, mas Narciso se afastou, dizendo-lhe para deixá-lo sozinho. Eco ficou inconsolável e em seu desespero acabou desaparecendo, não deixando nada para trás, além da assombrosa voz de seu eco. 

Nêmesis, a deusa da vingança, tomou conhecimento sobre Narciso e sobre o que havia acontecido a ninfa Eco, e então decidiu puni-lo. A deusa o atraiu até uma fonte, onde ele acabou se debruçando e vendo seu próprio reflexo.

Arte de Emanuella Kozas
Narciso ficou fascinado com sua visão, e acabou apaixonando-se pela imagem, sem saber que era a sua própria imagem refletida no espelho das águas. Por várias vezes Narciso tentou alcançar aquela imagem dentro da água mas inutilmente; não conseguia reter com um abraço aquele ser encantador. Olhando sem parar para o reflexo, ele lentamente definhou e foi transformado pelas ninfas em uma flor narciso. Outros, porém, dizem que ele ficou cheio de desespero e remorso e suicidou-se ao lado da fonte, e do sangue de sua vida se esvaindo a flor nasceu.

A versão do poeta grego Conon, contemporâneo de Ovídio, tem o mesmo fim, porém nela, não foi Eco o estopim para o fim de Narciso, mas sim um jovem chamado Ameinias. O jovem havia se apaixonado por Narciso, porém este o desprezou, como fazia com todos os outros. Devastado, Ameinias foi até a porta da casa de Narciso e se suicidou. Porém, antes de fazer isso, Ameinias clamou aos deuses para que punissem Narciso. Os deuses ouviram o seu clamor e rapidamente atenderam o seu pedido, fazendo Narciso se apaixonar por sua própria imagem refletida em uma fonte.



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11 de julho de 2016

Kinnaras

۞ ADM Sleipnir

Arte de Traci Shepard

Kinnaras (feminino Kinnari) são fabulosas criaturas meio-pássaro, meio-humanas, originarias da mitologia budista e hindu. São criaturas celestiais, conhecidos por sua graça e beleza, assim como por sua habilidade musical e de dança. 

A parte superior de seus corpos é humana, enquanto a inferior é de um pássaro, geralmente um cisne. Também existe uma versão híbrida entre cavalo e humano. Muitas vezes aparecem com pouca roupa, e com seu corpo e penas enfeitado com inúmeros objetos coloridos, geralmente nas estátuas e desenhos onde a criatura é descrita elas aparecem com uma espécie de coroa, que em alguns casos lembra um gênero de flor, em sua cabeça.



Mitologia

Em inúmeras lendas indianas as Kinnaras são seres celestiais que pertencem ao coro que rodeia as principais divindades das crenças indianas e é um símbolo auspicioso.

No Hinduismo, elas são uma das míticas criaturas que habita o Himavanta, que é uma floresta lendária situada na base de uma montanha sagrada chamada ''Mount Meru''. Em outras descrições as Kinnaras vivem também nos Himalaias e muitas vezes cuidam do bem estar dos seres humanos quando eles estão com dificuldades ou em perigo 

No budismo, são geralmente descritas como deuses ou semi-deuses da musica, e por vezes como uma das 8 criaturas não humanas que ''protegem'' os ensinamentos de Buda, são criaturas de destaque em inúmeros textos budistas, incluindo o Lotus Sutra. Em algumas tradições budistas, é dito que 4 das reencarnações de Buddha eram Kinnaras. Também é dito que elas protegem o Kalpavriksha, uma árvore lendária que aparece em muitas descrições do Budismo e Hinduísmo e por vezes descrita sendo a árvore divina da vida.

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